segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Quando a intertextualidade é intencional, ela pode se manifestar em diferentes níveis. Vejamos cada um deles:


 
  • Epígrafe: é um fragmento de texto que serve de lema ou divisa de uma obra, capítulo, ou poema. Costuma existir um vínculo entre a epígrafe e o texto que vem abaixo dela; nesses casos, a epígrafe dá apoio temático ao texto - ou resume o sentido, a motivação dele. Massaud Moisés observa que o exame atento das epígrafes pode "nos fornecer uma ideia da doutrina básica de um poeta ou romancista, o seu nível intelectual etc.".
     
  • Citação: é a frase ou passagem de certa obra que um autor reproduz (com indicação do autor original) como complementação, exemplo, ilustração, reforço ou abonação daquilo que ele pretende dizer ou demonstrar.

  • Alusão: é toda referência, direta ou indireta, propositada ou casual, a certa obra, personagem, situação etc., pertencente ao mundo literário, artístico, mitológico etc. No geral, a alusão insere a obra que a contém numa tradição comum julgada digna de preservar-se

Paráfrase: Na paráfrase as palavras são mudadas, porém a idéia do texto é confirmada pelo novo texto, a alusão ocorre para atualizar, reafirmar os sentidos ou alguns sentidos do texto citado. É dizer com outras palavras o que já foi dito. Temos um exemplo citado por Affonso Romano Sant’Anna em seu livro “Paródia, paráfrase & Cia” (p. 23):



Texto Original
Minha terra tem palmeiras
Onde 
canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.

(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”).
Paráfrase
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
Eu tão esquecido de minha terra…
Ai terra que tem palmeiras
Onde canta o sabiá!

(Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e Bahia”).
Paródia: quando o autor se apodera de um discurso e, ao invés de avalizar o exemplar resgatado, opõe-se a ele de forma discreta ou explicitamente. Várias vezes ele desvirtua o discurso prévio, seja por desejar criticá-lo ou por querer tecer uma ironia.
Pastiche: há uma união de diversos conteúdos e o resultado é uma colcha de retalhos. Não é difícil de compreender: este recurso ocorre quando se realiza a combinação de um determinado texto com um ou mais discursos.
Tradução: esta intertextualidade é o ajustamento de um texto composto em outro idioma à língua falada no país onde a obra é traduzida. Por exemplo, quando um livro em francês é traduzido para o vernáculo espanhol.
Bricolagem é um termo com origem no francês "bricòláge" cujo significado se refere à execução de pequenos trabalhos domésticos, sem necessidade de recorrer aos serviços de um profissional.


Trabalhos de jardinagem, reciclagem de objetos, pintura de móveis, artesanato e vários outros serviços de remodelação ou decoração feitos em casa são considerados bricolagem. São atividades manuais de execução simples ou mais trabalhosa, onde o próprio consumidor é responsável pelo trabalho realizado.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013


Textos técnicos e científicos devem lançar mão de citações por dois bons motivos. O primeiro é que, normalmente, citam-se autores de outros textos já publicados. Isto é, autores cujas ideias já foram publicamente expostas, submetidas ao juízo e reconhecimento da comunidade de leitores e da comunidade científica. Se as ideias permanecem (e da forma como permanecem), seu autor merece menção, como conhecedor do assunto exposto, como autoridade científica. Segundo, ao se referenciar certo autor, fazem-se, a um só tempo, um ato de justiça intelectual (atribuir-se a ideia a seu “dono”) e um ato de honestidade científico-acadêmica (o autor que cita e referencia reconhece que a ideia não é sua).  (SANTOS, 2007, p. 121-122)

SANTOS, Antônio Raimundo. Metodologia científica: a construção do conhecimento. 7 ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2007.
Tais palavras vêm tão somente confirmar a importância da credibilidade que seu discurso deve repassar ao interlocutor. No sentido de fazê-lo acreditar que suas ideias possuem fundamento, o ato de citar as ideias de outrem comprova que todo o trabalho foi resultante de uma investigação, que envolveu seriedade e comprometimento. Além disso, sem nenhuma dúvida, as citações aprimoram a qualidade científica da atividade em questão, bem como possibilitam ao leitor comprovar a fonte em que esta ou aquela ideia foi extraída, permitindo, também, que o investigador aprofunde ainda mais seu conhecimento acerca do assunto/tema em discussão.
Cientes de tais pressupostos, passemos agora a conhecer as características que norteiam um dos passos que regem o trabalho científico: as citações, visto que elas se encontram submetidas a critérios predefinidos, regidos, sobretudo, pela ABNT (Associação Brasileira de Normas e Técnicas). Assim sendo, vejamos:

* Citação direta

Trata-se de uma citação que, conforme a NBR 10520 (2002, p.2) revela ser a “Transcrição literal da parte da obra do autor consultado”. Nesse sentido, o recomendável é que todos os elementos textuais, tais como a ortografia, sinais gráficos, pontuação, entre outros, sejam rigorosamente respeitados, funcionando como uma espécie de cópia fiel das ideias reveladas pelo autor em questão.

* Citação direta curta

Tal modalidade deve obedecer ao limite máximo de três linhas, bem como deve ser inserida entre aspas no interior do parágrafo. Vejamos, pois, dois exemplos:
- Quando inserida no parágrafo: sobrenome do autor (ou dos autores), acompanhado da data e do número da página consultada:
Para Teixeira (1998, p. 35), “A ideia de que a mente funciona como um computador digital e que este último pode servir de modelo ou metáfora para conceber a mente humana iniciou a partir da década de 40”.

- Quando expressa no final da citação: SOBRENOME DO AUTOR (OU DOS AUTORES) seguido da data e do número da página em referência:
“A ideia de que a mente funciona como um computador digital e que este último pode servir de modelo ou metáfora para conceber a mente humana iniciou a partir da década de 40”. (TEIXEIRA, 1998, p. 35)

* Citação direta longa

As citações diretas com mais de três linhas devem aparecer em um parágrafo distinto, com espacejamento simples de entrelinhas, recuo de 4 cm da margem esquerda e descrito em fonte 10. Exemplos:
- Exemplo 1º: Para Barros e Lehfeld (2000, p. 107):
As citações ou transcrições de documentos bibliográficos servem para fortalecer e apoiar a tese do pesquisador ou para documentar sua interpretação. O que citar? Componentes relevantes para descrição, explicação ou exposições temáticas. Para que citar? Para o investigador refutar ou aceitar o raciocínio e exposição de um autor suporte [...].

- Exemplo 2º:
As citações ou transcrições de documentos bibliográficos servem para fortalecer e apoiar a tese do pesquisador ou para documentar sua interpretação. O que citar? Componentes relevantes para descrição, explicação ou exposições temáticas. Para que citar? Para o investigador refutar ou aceitar o raciocínio e exposição de um autor suporte [...]. (BARROS; LEHFELD, 2000, p. 107)

Citação direta: citação da citação
Como o próprio nome já nos revela, trata-se da citação de parte de um texto encontrado em um determinado autor, referente a outro, visto que a esse outro não se pôde ter acesso. O recomendável é que se utilize somente quando não houver a possibilidade de acesso ao documento original. Assim, a indicação é feita pela expressão latina apud, cujo sentido se atém a “citado por”. No texto, tal modalidade deve ser retratada de seguinte forma: autor do documento não consultado, seguido da expressão latina apud (citado por), em formato normal (não expresso em itálico) e o autor da obra consultada:

Exemplo 1º: Para Apple (1994 apud MOREIRA; SILVA, 2002, p. 39):
Quer reconheçamos ou não, o currículo e as questões educacionais mais genéricas sempre estiveram atrelados à história dos conflitos de classe, raça, sexo e religião, tanto nos Estados Unidos quanto em outros países.

Exemplo 2º:
Quer reconheçamos ou não, o currículo e as questões educacionais mais genéricas sempre estiveram atrelados à história dos conflitos de classe, raça, sexo e religião, tanto nos Estados Unidos quanto em outros países.  (APPLE, 1994 apud MOREIRA; SILVA, 2002, p. 39)

Citação direta: omissão
A omissão se caracteriza como um recurso utilizado quando não se faz necessário citar o texto de forma integral de um determinado autor. Contudo, torna-se imperioso que o sentido do texto original permaneça inalterado. No texto, tal recurso é sempre indicado por reticências (...) entre colchetes ([ ]). Vejamos dois casos representativos:

Exemplo 1º: Para Oliveira (2002, p. 72), “O universo ou população é o conjunto de seres animados que apresentam pelo menos uma característica em comum [...] dependem do assunto a ser investigado”.

Exemplo 2º: “O universo ou população é o conjunto de seres animados que apresentam pelo menos uma característica em comum [...] dependem do assunto a ser investigado”. (OLIVEIRA, 2002, p. 72)

Citação indireta
A citação indireta se caracteriza como uma espécie de paráfrase das ideias de um determinado autor, ou seja, o pesquisador, por meio de suas próprias palavras, interpreta o discurso de outrem, contudo, mantendo o mesmo sentido. Outro aspecto que deve ser levado em conta é a necessidade de o autor (ou os autores) e o ano em que a obra foi publicada serem mencionados. Observemos, pois, dois exemplos:

Exemplo 1º - no parágrafo: Sobrenome do autor (data):
"Independentemente do nosso  reconhecimento, segundo Apple (1994 apud MOREIRA; SILVA, 2002), o currículo, bem como as questões educacionais, vistas sob um ponto de vista mais generalizado, mantêm-se relacionados a aspectos históricos relativos a conflitos de classe, raça, sexo e religião, não somente em se tratando dos Estados Unidos, mas também a outros países."

Exemplo 2º - no final do parágrafo: (SOBRENOME DO AUTOR, data):
"Independentemente do nosso reconhecimento, o currículo, bem como as questões educacionais, vistas sob um ponto de vista mais generalizado, mantêm-se relacionados a aspectos históricos relativos a conflitos de classe, raça, sexo e religião, não somente em se tratando dos Estados Unidos, mas também a outros países. (APPLE, 1994 apud MOREIRA; SILVA, 2002)"



Fonte : http://monografias.brasilescola.com/regras-abnt/formas-citacoes.htm

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Intertextualidade

O diálogo, que por vezes se mantém entre um texto e outro, materializa-se por intermédio de uma ocorrência a qual denominamos de intertextualidade.

 

Intertextualidade .. Nas conversas cotidianas, em circunstâncias relacionadas à linguagem escrita, nas inferências que devemos dispor ao analisarmos uma charge, um cartum, uma história em quadrinhos, na pintura, na escultura, nas obras literárias, enfim, muitas são as circunstâncias em que podemos perfeitamente identificar esse tecer de ideias entre um texto e outro, seja ele verbal ou não verbal.

Assim, frente a essa realidade, constatamos que você merece estabelecer um pouco mais de familiaridade acerca dos pontos que norteiam tal ocorrência, haja vista que, assim como todas as outras relacionadas aos pressupostos que norteiam a língua como um todo, a intertextualidade também se reveste de particularidades, de características próprias. Dessa forma, pode ser que você ainda não tenha atentado para algumas “afinidades” que existem entre uma pintura e um anúncio publicitário, entre um poema e outro, entre uma realidade cotidiana e uma charge, enfim, o fato é que por meio desta seção você poderá desfrutar com muito esmero acerca de tudo que aqui se encontra preparado para você, o que lhe permitirá entender que essas “afinidades” materializam-se tanto pela imitação, mantendo a ideia-base do objeto tomado por referência, quanto primando-se por um outro aspecto: o que trabalha o lado subversivo, o lado crítico.