Quando a
intertextualidade é intencional, ela pode se manifestar em diferentes níveis.
Vejamos cada um deles:
- Epígrafe: é um fragmento de texto que serve de lema ou
divisa de uma obra, capítulo, ou poema. Costuma existir um vínculo entre a
epígrafe e o texto que vem abaixo dela; nesses casos, a epígrafe dá apoio
temático ao texto - ou resume o sentido, a motivação dele. Massaud Moisés
observa que o exame atento das epígrafes pode "nos fornecer uma ideia
da doutrina básica de um poeta ou romancista, o seu nível intelectual
etc.".
- Citação: é a frase ou passagem de certa obra que um
autor reproduz (com indicação do autor original) como complementação,
exemplo, ilustração, reforço ou abonação daquilo que ele pretende dizer ou
demonstrar.
- Alusão: é toda referência, direta ou indireta,
propositada ou casual, a certa obra, personagem, situação etc.,
pertencente ao mundo literário, artístico, mitológico etc. No geral, a
alusão insere a obra que a contém numa tradição comum julgada digna de
preservar-se
Paráfrase: Na paráfrase as palavras são mudadas,
porém a idéia do texto é confirmada pelo novo texto, a alusão ocorre para atualizar, reafirmar os sentidos ou alguns
sentidos do texto citado. É dizer com outras palavras o que já foi dito. Temos
um exemplo citado por Affonso Romano Sant’Anna em seu livro “Paródia, paráfrase
& Cia” (p. 23):
Texto Original
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”).
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”).
Paráfrase
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
Eu tão esquecido de minha terra…
Ai terra que tem palmeiras
Onde canta o sabiá!
(Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e Bahia”).
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
Eu tão esquecido de minha terra…
Ai terra que tem palmeiras
Onde canta o sabiá!
(Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e Bahia”).
Paródia: quando o autor se apodera de um discurso e, ao invés de avalizar o
exemplar resgatado, opõe-se a ele de forma discreta ou explicitamente. Várias
vezes ele desvirtua o discurso prévio, seja por desejar criticá-lo ou por
querer tecer uma ironia.
Pastiche: há uma união de diversos conteúdos e o resultado é uma colcha de
retalhos. Não é difícil de compreender: este recurso ocorre quando se realiza a
combinação de um determinado texto com um ou mais discursos.
Tradução: esta intertextualidade é o ajustamento de um texto composto em outro
idioma à língua falada no país onde a obra é traduzida. Por exemplo, quando
um livro em francês é traduzido para o vernáculo
espanhol.
Bricolagem é um termo com origem no francês "bricòláge" cujo significado
se refere à execução de pequenos trabalhos domésticos, sem necessidade de
recorrer aos serviços de um profissional.
Trabalhos de jardinagem, reciclagem de objetos,
pintura de móveis, artesanato e vários outros serviços de remodelação ou
decoração feitos em casa são considerados bricolagem. São atividades manuais de
execução simples ou mais trabalhosa, onde o próprio consumidor é responsável
pelo trabalho realizado.
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